24/05/2008 - 15h44
O vice-presidente da República, José Alencar, que chegou ao Palácio Rio Negro, pouco depois das 14h (horário local, 15h em Brasília), para o velório do senador Jefferson Péres, como representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou em entrevista coletiva que "não são apenas os amazonenses ou a família de Jefferson Péres que estão de luto, mas todo o país".
- O Brasil está sedento de seriedade e ética. E esse é seu marco. Ele era inflexível quando se tratava de deslizes, crimes, desonestidade e improbidade - afirmou o vice-presidente, que foi colega de Péres no Senado de 1998 a 2002.
O velório do senador Jefferson Péres, que morreu de enfarto nesta sexta-feira (24) está sendo realizado no palácio Rio Negro, em Manaus. O sepultamento será as 16h (no horário local, 17h em Brasília) deste sábado no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
sábado, 24 de maio de 2008
Velhos conhecidos de Manaus se despedem de Jefferson Péres
24/05/2008 - 15h15
O senador Jefferson Péres mandava fazer seus ternos com o mesmo alfaiate desde a década de 50 e gostava de comer tacacá. Na Câmara Municipal de Manaus, era o "controlador" da colega Otalina Aleixo, uma das mais tradicionais vereadoras da cidade que, ao contrário dele, que "era de ação", nas palavras da matriarca de uma família de 24 filhos, "costumava dar seus coices".
- Ele sempre foi direto e determinado quando falava. Nunca levantou a voz - contou a ex-vereadora, cercada de personagens históricos de Manaus.
Como o alfaiate Aloísio Malheiros, de 75 anos, que contou que o senador sempre dava preferência aos ternos de cor azul marinho, e que era econômico. O último foi feito há dois anos.
- Quando ele se mudou para Brasília, achei que ele trocaria de alfaiate, mas ele não quis - disse, lamentando a péssima qualidade dos novos tecidos.
A agricultora Edinésia Lopes viajou um dia pelo estado do Amazonas para representar a avô, a finada Pequenina, a melhor tacacazeira do bairro de Aparecida, onde o senador morou quando solteiro.
- O senador me conhecia desde pequeninha - disse.
Para Edivaldo Fernandes, foi difícil começar o dia de trabalho neste sábado. Ele arrumou um quarto que não tinha sido ocupado, e não tinha o habitual café da manhã preparado há mais de 15 anos para servir. Há 30 anos como "pessoa de confiança" da família Carpinteiro Péres, Edivaldo contou à Agência Senado que "perdeu um pai".
- Ele era um braço forte pra mim. Tenho orgulho de ter trabalhado com ele - disse.
O velório do senador Jefferson Péres, que morreu de enfarto nesta sexta-feira (24) está sendo realizado no palácio Rio Negro, em Manaus. O enterro está marcado para as 16h (no horário local, 17h em Brasília) deste sábado no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
O senador Jefferson Péres mandava fazer seus ternos com o mesmo alfaiate desde a década de 50 e gostava de comer tacacá. Na Câmara Municipal de Manaus, era o "controlador" da colega Otalina Aleixo, uma das mais tradicionais vereadoras da cidade que, ao contrário dele, que "era de ação", nas palavras da matriarca de uma família de 24 filhos, "costumava dar seus coices".
- Ele sempre foi direto e determinado quando falava. Nunca levantou a voz - contou a ex-vereadora, cercada de personagens históricos de Manaus.
Como o alfaiate Aloísio Malheiros, de 75 anos, que contou que o senador sempre dava preferência aos ternos de cor azul marinho, e que era econômico. O último foi feito há dois anos.
- Quando ele se mudou para Brasília, achei que ele trocaria de alfaiate, mas ele não quis - disse, lamentando a péssima qualidade dos novos tecidos.
A agricultora Edinésia Lopes viajou um dia pelo estado do Amazonas para representar a avô, a finada Pequenina, a melhor tacacazeira do bairro de Aparecida, onde o senador morou quando solteiro.
- O senador me conhecia desde pequeninha - disse.
Para Edivaldo Fernandes, foi difícil começar o dia de trabalho neste sábado. Ele arrumou um quarto que não tinha sido ocupado, e não tinha o habitual café da manhã preparado há mais de 15 anos para servir. Há 30 anos como "pessoa de confiança" da família Carpinteiro Péres, Edivaldo contou à Agência Senado que "perdeu um pai".
- Ele era um braço forte pra mim. Tenho orgulho de ter trabalhado com ele - disse.
O velório do senador Jefferson Péres, que morreu de enfarto nesta sexta-feira (24) está sendo realizado no palácio Rio Negro, em Manaus. O enterro está marcado para as 16h (no horário local, 17h em Brasília) deste sábado no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
"O Senado está vazio", diz Simon
Os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Pedro Simon (PMDB-RS) lamentaram a perda do companheiro durante o velório de Jefferson Péres (PDT-AM), na amanhã deste sábado (24).
Pedro Simon, grande amigo de Jefferson Péres, lembrou suas caminhadas diárias e as recomendações dadas aos amigos para que adotassem os mesmos hábitos. Os dois moravam no mesmo prédio em Brasília.
Lembrado por um jornalista de que, com a morte de Jefferson Péres, o chamado "trio ético" do Senado - além do amazonense, o próprio Pedro Simon e Eduardo Suplicy (PT-SP) - perde um de seus membros, Simon brincou que deveria ter sido ele, já que, sem Jefferson, "o trio perde o bom senso".
- A consciência dele é que balizava suas decisões - disse.
Simon contou ainda que um grupo de senadores, o qual ele fazia parte, pretendia vir a Manaus para convencer Jefferson Péres a se candidatar nas próximas eleições ao Senado. Desencantado com a política, ele já havia declarado que sairia da vida pública.
- Ele faz uma falta muito grande - lamentou, emocionado.
Já Demóstenes Torres destacou que, além da "precisão de raciocínio" e da "inteligência inusitada", Péres "era o que parecia ser, "era ele mesmo, e não algo forçado".
- Seu comportamento ético incentivava a todos. Me envaideceu ter convivido com um dos homens mais importantes para a vida pública do país hoje - disse.
Para Demóstenes, "haverá sempre seguidores de homens como Jefferson Péres".
- Ele é muito mais que um quadro na parede. É uma verdadeira galeria moral no quadro da decência do Brasil - disse.
O velório está sendo realizado no palácio Rio Negro, em Manaus. O enterro está marcado para as 16h (no horário local, 15h em Brasília) no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
Pedro Simon, grande amigo de Jefferson Péres, lembrou suas caminhadas diárias e as recomendações dadas aos amigos para que adotassem os mesmos hábitos. Os dois moravam no mesmo prédio em Brasília.
Lembrado por um jornalista de que, com a morte de Jefferson Péres, o chamado "trio ético" do Senado - além do amazonense, o próprio Pedro Simon e Eduardo Suplicy (PT-SP) - perde um de seus membros, Simon brincou que deveria ter sido ele, já que, sem Jefferson, "o trio perde o bom senso".
- A consciência dele é que balizava suas decisões - disse.
Simon contou ainda que um grupo de senadores, o qual ele fazia parte, pretendia vir a Manaus para convencer Jefferson Péres a se candidatar nas próximas eleições ao Senado. Desencantado com a política, ele já havia declarado que sairia da vida pública.
- Ele faz uma falta muito grande - lamentou, emocionado.
Já Demóstenes Torres destacou que, além da "precisão de raciocínio" e da "inteligência inusitada", Péres "era o que parecia ser, "era ele mesmo, e não algo forçado".
- Seu comportamento ético incentivava a todos. Me envaideceu ter convivido com um dos homens mais importantes para a vida pública do país hoje - disse.
Para Demóstenes, "haverá sempre seguidores de homens como Jefferson Péres".
- Ele é muito mais que um quadro na parede. É uma verdadeira galeria moral no quadro da decência do Brasil - disse.
O velório está sendo realizado no palácio Rio Negro, em Manaus. O enterro está marcado para as 16h (no horário local, 15h em Brasília) no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
"São poucos os Jeffersons Péres", diz Garibaldi no velório do senador
- Na defesa da ética, ele era absolutamente incontrastável. Nunca cedeu um milímetro sequer. Nunca deixou de condenar a quem devia ser condenado, nunca deixou de ser um juiz dos mais íntegros. Vai fazer falta um homem como ele. Sem querer desmerecer os colegas e até a mim mesmo, são poucos os Jefferson Péres. Talvez ele seja único, singular - disse.
O presidente chegou ao Palácio Rio Negro, onde o corpo está sendo velado, por volta das 10h30 (horário local, 11h30 em Brasília), na companhia dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Demóstenes Torres (DEM-GO), Eduardo Suplicy (PT-SP), Leomar Quintanilha (PMDB-TO), João Pedro (PT-AM) e Augusto Botelho (PT-RO). Os senadores passaram algum tempo conversando com a família de Jefferson.
Garibaldi lembrou que Jefferson Péres era sempre um conselheiro, mas um conselheiro que cobrava que suas recomendações fossem levadas em consideração.
- Todos nós sempre íamos atrás de Jefferson Péres para saber o que iríamos fazer. O que vamos fazer agora, sem Jefferson Péres? - perguntou Garibaldi, consternado.
O enterro está marcado para as 16h (no horário local, 15h em Brasília) no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
Garibaldi chega ao velório de Jefferson Péres
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, chegou há pouco ao Palácio Rio Negro, em Manaus, onde está sendo velado o corpo do senador Jefferson Peres (PDT-AM), que faleceu nesta sexta-feira, vítima de um enfarto. Garibaldi está acompanhado dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Leomar Quintanilha (PMDB-TO), Pedro Simon (PMDB-RS), Augusto Botelho (PT-RR) e João Pedro (PT-AM). O presidente do Senado ainda não falou com os jornalistas. O senador Eduardo Suplicy já se encontrava no local.O enterro está marcado para as 16h (no horário local, 15h em Brasília) no cemitério São João Batista, também em Manaus.
No velório de Jefferson Péres, Suplicy diz que ele foi "um dos maiores valores da história política do Brasil"
Eduardo Suplicy (PT-SP) foi o primeiro senador a chegar ao Palácio Rio Negro, em Manaus, na manhã deste sábado (24), onde está sendo velado o corpo do senador Jefferson Peres (PDT-AM), que faleceu nesta sexta (23), vítima de um enfarto. Suplicy afirmou aos jornalistas que Jefferson foi "um dos maiores valores da história política do Brasil".
- Ele era um verdadeiro farol dentro do Senado Federal - disse, enfatizando a dedicação, a seriedade e o senso de responsabilidade do colega.
Suplicy observou que, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, Jefferson Péres vinha alertando para a importância de "zelar pelo uso mais exíguo das medidas provisórias", assunto em voga principalmente nos últimos dias, por conta de decisão do Supremo Tribunal Federal contrária a MP que abria crédito extraordinário no Orçamento. Suplicy lembrou também que, em 2001, quando da eleição de Jader Barbalho para a Presidência do Senado, Jefferson Péres chegou a apresentar a sua candidatura, tendo sido apoiado por 14 senadores.
Também compareceu ao velório na manhã deste sábado o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, companheiro de partido de Péres no PDT. Uma comitiva de 11 senadores, entre eles o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, é aguardada no Palácio Rio Negro. O vice-presidente da República, José Alencar, deve chegar às 14h30, horário de Brasília (13h30 em Manaus). O enterro está marcado para as 16h (no horário local) no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
- Ele era um verdadeiro farol dentro do Senado Federal - disse, enfatizando a dedicação, a seriedade e o senso de responsabilidade do colega.
Suplicy observou que, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, Jefferson Péres vinha alertando para a importância de "zelar pelo uso mais exíguo das medidas provisórias", assunto em voga principalmente nos últimos dias, por conta de decisão do Supremo Tribunal Federal contrária a MP que abria crédito extraordinário no Orçamento. Suplicy lembrou também que, em 2001, quando da eleição de Jader Barbalho para a Presidência do Senado, Jefferson Péres chegou a apresentar a sua candidatura, tendo sido apoiado por 14 senadores.
Também compareceu ao velório na manhã deste sábado o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, companheiro de partido de Péres no PDT. Uma comitiva de 11 senadores, entre eles o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, é aguardada no Palácio Rio Negro. O vice-presidente da República, José Alencar, deve chegar às 14h30, horário de Brasília (13h30 em Manaus). O enterro está marcado para as 16h (no horário local) no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
Na intimidade, o lado doce e humano de Jefferson Péres
Conhecido e respeitado em todo o país pela conduta parlamentar marcada pela firmeza na defesa dos princípios éticos na política, Jefferson Péres (PDT-AM) era sempre lembrado pelos jornalistas nos muitos momentos em que os ocupantes de cargos públicos precisavam de "puxões de orelha". Como ombudsman informal do Parlamento, podia passar a muitos certa impressão de sisudez e, não escondendo o desencanto com a política, de amargor.
O Jefferson Péres que a reportagem da Agência Senado encontrou na memória de algumas das cerca de 3.000 pessoas que passaram por seu velório nesta sexta-feira (23) e neste sábado (24), em Manaus (AM), - especialmente na daquelas que puderam conviver com ele - muito pouco tinha de semelhante com as características citadas.
Às lágrimas, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), amigo e colega de bancada, falou do companheiro de conversas sobre cinema e música. O suplente, Jefferson Praia (PDT-AM), lembrou do professor de Economia com quem aprendeu algumas das lições que mais preza na vida. Também emocionada, a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) rememorou as muitas vezes em que o parlamentar intercedeu em sua defesa.
A esposa, Marlídice Peres, falando à Agência Senado neste sábado (24), também enfatizou o lado terno da personalidade do senador, por trás da aparência de severidade. Segundo ela, era muito penoso para ele relatar processos no Conselho de Ética contra colegas.
- Ele era duro, mas aquilo o violentava, porque ele gostava das pessoas. Para ele, era difícil pedir a cabeça de um colega. Mas ele não recuava diante de um dever - afirmou.
Para alguns jovens do PDT amazonense que homenagearam o senador na tarde desta sexta-feira, Jefferson Peres, mais que um amigo ou conselheiro, era como um pai.
- Ele se reunia com todos os movimentos do partido nos sábados. Era um orientador, um paizão. Dava palestras, conversava. Não havia barreiras. Ele representava uma linha, uma direção - contou Madalena Silva, da ala ambientalista.
Lana Gomes, da Juventude Socialista, citou uma das lições apreendidas desses encontros.
- Ele ressaltava, nas reuniões, a importância da educação integral. Dizia que pode ser difícil mudar a cabeça de um adulto em relação à ética, mas que uma criança é como uma plantinha - disse.
Entre os funcionários e assessores do gabinete do senador, o susto se misturava à dor. A maioria acompanha o parlamentar desde o início de seu primeiro mandato, em 1995, e não observou mudança alguma em sua rotina. Apesar do feriado de Corpus Christi, Jefferson Peres relatou uma matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) ainda na quarta-feira (21) e marcou presença na tribuna, como era hábito, na semana que passou.
Costumava caminhar todas as manhãs e se recolhia cedo. O infarto contrariou a lógica das recomendações médicas. A esposa lembrou os hábitos saudáveis do marido.
- Há anos, ele tomava, todos os dias, guaraná em pó com mel. E, no café da manhã, era sempre frugal: torradas com geléia, frutas e sucos. Também sempre dava preferência para peixes - lembrou.
Ela observou, contudo, que nos últimos tempos, Jefferson Péres, "andava meio preguiçoso" para as caminhadas matinais e que ela precisava ficar "monitorando" e incentivá-lo.
Diversos parlamentares são esperados na manhã deste sábado no Palácio do Rio Negro, entre eles o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho. O sepultamento ocorrerá às 16h, no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
O Jefferson Péres que a reportagem da Agência Senado encontrou na memória de algumas das cerca de 3.000 pessoas que passaram por seu velório nesta sexta-feira (23) e neste sábado (24), em Manaus (AM), - especialmente na daquelas que puderam conviver com ele - muito pouco tinha de semelhante com as características citadas.
Às lágrimas, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), amigo e colega de bancada, falou do companheiro de conversas sobre cinema e música. O suplente, Jefferson Praia (PDT-AM), lembrou do professor de Economia com quem aprendeu algumas das lições que mais preza na vida. Também emocionada, a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) rememorou as muitas vezes em que o parlamentar intercedeu em sua defesa.
A esposa, Marlídice Peres, falando à Agência Senado neste sábado (24), também enfatizou o lado terno da personalidade do senador, por trás da aparência de severidade. Segundo ela, era muito penoso para ele relatar processos no Conselho de Ética contra colegas.
- Ele era duro, mas aquilo o violentava, porque ele gostava das pessoas. Para ele, era difícil pedir a cabeça de um colega. Mas ele não recuava diante de um dever - afirmou.
Para alguns jovens do PDT amazonense que homenagearam o senador na tarde desta sexta-feira, Jefferson Peres, mais que um amigo ou conselheiro, era como um pai.
- Ele se reunia com todos os movimentos do partido nos sábados. Era um orientador, um paizão. Dava palestras, conversava. Não havia barreiras. Ele representava uma linha, uma direção - contou Madalena Silva, da ala ambientalista.
Lana Gomes, da Juventude Socialista, citou uma das lições apreendidas desses encontros.
- Ele ressaltava, nas reuniões, a importância da educação integral. Dizia que pode ser difícil mudar a cabeça de um adulto em relação à ética, mas que uma criança é como uma plantinha - disse.
Entre os funcionários e assessores do gabinete do senador, o susto se misturava à dor. A maioria acompanha o parlamentar desde o início de seu primeiro mandato, em 1995, e não observou mudança alguma em sua rotina. Apesar do feriado de Corpus Christi, Jefferson Peres relatou uma matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) ainda na quarta-feira (21) e marcou presença na tribuna, como era hábito, na semana que passou.
Costumava caminhar todas as manhãs e se recolhia cedo. O infarto contrariou a lógica das recomendações médicas. A esposa lembrou os hábitos saudáveis do marido.
- Há anos, ele tomava, todos os dias, guaraná em pó com mel. E, no café da manhã, era sempre frugal: torradas com geléia, frutas e sucos. Também sempre dava preferência para peixes - lembrou.
Ela observou, contudo, que nos últimos tempos, Jefferson Péres, "andava meio preguiçoso" para as caminhadas matinais e que ela precisava ficar "monitorando" e incentivá-lo.
Diversos parlamentares são esperados na manhã deste sábado no Palácio do Rio Negro, entre eles o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho. O sepultamento ocorrerá às 16h, no cemitério São João Batista, também em Manaus.
Raíssa Abreu / Agência Senado
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
Familiares, amigos e autoridades homenageiam Jefferson Péres em velório
Familiares, amigos emocionados e autoridades dos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) de Manaus e do Amazonas prestaram suas últimas homenagens ao senador Jefferson Péres (PDT-AM), 76 anos, que faleceu em sua residência na capital amazonense, no início da manhã desta sexta-feira (23), vítima de infarto fulminante.O corpo de Jefferson Péres está sendo velado, desde as 14h30 (horário local), no Palácio Rio Negro, antiga sede do governo estadual. Mais de 500 admiradores e curiosos já passaram pelo velório, além de várias autoridades, como o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB).
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que era amigo pessoal de Jefferson Péres e viajou em sua companhia de Brasília a Manaus na última quarta-feira (21), contou à Agência Senado que, quando soube da notícia, pensou estar sonhando.
- Se o destino foi cruel levando Jefferson Péres, foi generoso deixando-o morrer em Manaus - comentou Arthur Virgílio, muito emocionado.
O líder do PSDB no Senado acrescentou ainda que o colega vai deixar "um buraco enorme" e que "não se faz um Jefferson Péres da noite para o dia".
Já o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), afirmou que, com a morte de Jefferson, a classe política perde "uma grande referência ética".
- Ele fundou um novo estilo de oposição. Uma oposição crítica e severa. O Amazonas sente a dor da perda de um grande conselheiro - sustentou.
A ex-senadora Heloísa Helena, presidente do PSOL, também homenageou o parlamentar.
- Temos a obrigação de honrar a luta ética dele - sentenciou.
O primeiro suplente de Jefferson Péres, Jefferson Praia, que vai assumir a cadeira no Senado, permaneceu no velório durante a tarde e, chorando muito, expressou sua consternação pela morte do amigo.
O senador Jefferson Péres será enterrado neste sábado (24), às 16h, no cemitério São João Batista, em Manaus. Sua vaga no Senado Federal será ocupada pelo primeiro suplente, Jefferson Praia (PDT).
Raíssa Abreu / Agência Senado
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